Participantes da conferência nacional contaram suas histórias e apresentaram reivindicações para melhorar os serviços públicos oferecidos no setor
Aos 32 anos, Elton Britto, morador de Camaçari, na Bahia, viu sua vida se transformar da noite para o dia. Um acidente durante um mergulho o deixou em uma cadeira de rodas. Hoje, aos 37 anos e completamente adaptado à nova situação, ele diz que o reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência é fundamental para a sociedade. "Aprendi a importância da assistência social só quando precisei dela."
Membro da União dos Deficientes de Camaçari, Elton veio a Brasília para participar da VIII Conferência Nacional de Assistência Social. Ele reivindica maior apoio do governo federal às entidades de assistência social do país. “Em Camaçari, a nossa ONG conseguiu, com ajuda da prefeitura, 14 cadeiras de rodas motorizadas para doar à comunidade este ano. Com pequenas iniciativas como essa, queremos mostrar que o governo também pode fazer muito por muita gente. É só começar, dando um passo de cada vez, assim como nós, deficientes, aprendemos a fazer.”
Também da Bahia, o presidente da Associação de Pessoas com Deficiência do município de Teixeira de Freitas, Irlando Gonçalves dos Santos, 33 anos, é outro exemplo de vida entre os participantes da conferência. Vítima de uma poliomielite quando criança, ele convive com as limitações causadas pelos 97 graus de escoliose que a doença lhe causou.
Participação – “A maioria das pessoas vem aqui pleitear por melhores carreiras e salários, maiores investimentos financeiros ou a valorização do assistente social. Minha maior luta hoje, dentro da associação, é o reconhecimento da capacidade da pessoa com deficiência pelo próprio portador”, assinala Irlando. “Nós, deficientes, muitas vezes não nos sentimos capazes. O preconceito dentro da nossa cabeça é muito maior do que dentro da sociedade.” Para ele, é importante que as entidades façam um trabalho árduo de valorização dos usuários dos equipamentos, buscando maior participação das pessoas com deficiência.
Representando do Maranhão, as funcionárias do Conselho Estadual de Assistência Social (Ceas), Lila Léa Gonçalves, 60 anos, e Eny Maranhão Cardoso, 51 anos, aguardam ansiosas o encerramento da conferência para aprovação do documento final. Segundo elas, o é fundamental para que o governo e a sociedade civil possam debater as principais dificuldades encontradas pelos agentes do Sistema Único de Assistência Social (Suas).
Lila e Eny entendem que, hoje, o maior desafio da área ainda é a capacitação e valorização dos executores do sistema. Sem eles, acrescentam, não há fiscalização do que está sendo feito de fato, impedindo que seja reivindicada uma melhor execução das ações.
Valorização – Aos 69 anos, com os cabelos brancos cuidadosamente penteados, unhas feitas e casaco alinhado, Maria Consuelo Bastos Seabra chamava a atenção na conferência pela simpatia e disposição com que caminhava entre os estandes. Delegada de Goiás e representante da Federação dos Idosos, ela está preocupada com a população idosa.
“As pesquisas mostram que, em 2020, dois terços da população brasileira terão mais de 60 anos. O governo federal precisa se preparar para poder amparar esse público, oferecendo atendimento de qualidade. Vim a Brasília porque acho importante propor essa reflexão. As políticas públicas têm que ser feitas pensando não apenas no hoje, mas no futuro.”
Fonte: MDS
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